O que são juros reais e por que eles devem ser considerados ao investir?

Maza Invest • 23 de setembro de 2026

Este conteúdo explica o que são juros reais — tanto no retorno de um investimento específico quanto como taxa de referência da economia. O artigo detalha a diferença em relação aos juros nominais, apresenta a fórmula de cálculo com um exemplo prático e explica como o indicador funciona como referência de política monetária, influenciando o crédito, o consumo, a avaliação de empresas na renda variável e a atratividade da renda fixa. 


Investidores do mercado financeiro devem conhecer diferentes conceitos para fazer escolhas estratégicas e eficientes. Nesse contexto, os juros reais merecem atenção, pois influenciam a leitura sobre rentabilidade e atratividade das alternativas.


Essa leitura se torna especialmente relevante quando preços, taxas e a inflação mudam de direção. Um retorno aparentemente elevado muitas vezes representa um ganho patrimonial menor após a perda de poder de compra.



Continue a leitura para saber o que são juros reais e por que eles devem fazer parte das suas avaliações ao investir!

O que são juros reais?

Os juros reais representam o retorno de um investimento depois de descontado o efeito da inflação. Eles são diferentes dos juros nominais, que indicam o retorno sem considerar a perda de valor do dinheiro provocada pela inflação.


Essa é a principal diferença entre juros nominais e reais. Enquanto o primeiro mostra o rendimento bruto, o segundo revela se houve ganho de poder de compra com a aplicação e de quanto ele foi. 


Além disso, o termo é usado para descrever a taxa de juros real da economia como um todo. Ela costuma ser calculada a partir da Selic descontada da inflação. 

Como calcular retorno real em um investimento?

Quando o foco é avaliar os juros reais ofertados em um investimento — ou o total obtido como retorno —, é preciso aplicar a seguinte fórmula:


taxa real = [(1 + taxa nominal) ÷ (1 + inflação)] - 1


Veja como aplicá-la:

  • converta os percentuais em decimais e some 1 a cada um deles;
  • divida o fator da taxa nominal pelo fator da inflação;
  • subtraia 1 do resultado.


Imagine um investimento com retorno nominal de 10% ao ano em um período em que a inflação foi de 4%. 

Para chegar ao juro real de forma precisa, comece convertendo a porcentagem: 10% corresponde a 0,10, enquanto 4% corresponde a 0,04. Some 1 a cada um deles, que ficarão 1,10 e 1,04, respectivamente.


Em seguida, divida 1,10 por 1,04 e subtraia 1 do resultado. Para finalizar, multiplique o resultado por 100. Nessa hipótese, o ganho real ficaria em 5,77% ao ano.

Por que considerar os juros reais ao investir?

Considerar os juros reais, enquanto retorno, é relevante porque eles permitem comparar alternativas pelo ganho efetivo, e não apenas pela rentabilidade nominal. Essa análise é especialmente útil na renda fixa, pois uma taxa elevada pode representar um avanço patrimonial menor se a inflação também estiver alta.


Porém, é essencial ter a visão também relacionada à economia como um todo. Por exemplo, os juros reais elevados tendem a aumentar a taxa de desconto aplicada nos fluxos de caixa futuros de uma empresa, afetando a avaliação das ações. Isso pode pressionar preços e alterar a atratividade de ativos na renda variável.


Paralelamente, a relação entre juros reais e inflação também ajuda a interpretar a economia. Níveis elevados de juros reais tendem a conter o crédito e o consumo ao encarecer operações como financiamentos, empréstimos e outros. 


Já as quedas tendem a ter um efeito oposto. Por reduzir o custo dos financiamentos, há um estímulo ao crédito e ao consumo. Ao mesmo tempo, há uma redução na atratividade de aplicações conservadoras, o que pode levar investidores a rever a distribuição da carteira.


Analisar os juros reais é importante tanto para avaliar investimentos quanto para compreender o cenário econômico. A partir dessa informação, você tem uma base mais consistente para comparar alternativas, analisar a carteira e tomar decisões.


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